terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O bairro Periperi


Periperi está localizado entre os bairros de Coutos e Praia Grande no Subúrbio Ferroviário, assim como boa parte dos bairros antigos de Salvador e pode ser considerado como um símbolo do Subúrbio. Até a década de 1960, a região era freqüentada por veranistas que buscavam um refúgio pacato para descansar. Seu nome é de origem indígena e está associado à multiplicação da planta junco em planície alagada. Acontece em Periperi, desde 1996, uma micareta: a Perifolia. Em 2006, a festa reuniu 50 mil pessoas por dia na praça da Revolução. É, neste bairro, que se desenrola o livro “Os velhos marinheiros” (1961), de Jorge Amado. É possível chegar a Periperi através da Avenida Suburbana, pela BR 324 ou de trem, desfrutando de uma belíssima paisagem do Subúrbio e da Baía de Todos os Santos.

Alguns depoimentos sobre Periperi

"Parece que Salvador é só pelourinho, é só Itapuã, mas ali em Mirantes de Periperi, eu nunca ví imagens tão lindas da Baía de Todos os Santos."

Por: Heloisa Costa - Liderança cultural de São Cristovão


"Salvador é uma mistura de cores, de todos os valores, de todos os sonhos que nós temos. de todos os recantos, mistura dos orixás com os santos.Salvador é a soma de muitas coisas boas, de todos os sabores... então elas se somam...É um milagre a sobrevivência em Salvador... Eu acho que a questão de produção de alimentos aqui é muito grave."

Por: Padre Oliveira - Mirante de Periperi.

Referências:

(Quem faz Salvador, 2002, Cd-Room, Ufba)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Praia Grande / Itacaranha - apanhado histórico da localidade


Antes da Segunda Guerra Mundial, Praia Grande era refúgio da burguesia industrial e latifundiária de Salvador. A partir da década de 50 o bairro foi sendo ocupado por moradores de classe baixa, formando favelas. O bairro fica localizado entre Periperi, Itacaranha e Escada. Nesta última localidade encontramos a primeira igreja erguida com pedras na Bahia. Datada de 1536, a Igreja de Nossa Senhora da Escada foi refúgio do Padre José de Anchieta, e desde 1962 é tombada pelo Ipham (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Nela se encontra a imagem da padroeira do lugar, que foi esculpida no início do século XVIII e que tem aos seus pés uma escada dourada onde estão dois anjos, justificando o nome desta localidade. A devoção a Nossa Senhora da Conceição da Escada sobrevive há mais de 470 anos, e é festejada com procissão, missa festiva e novena. Uma placa colocada na parede lateral da capela indica: “Aos 16 de abril de 1638 aqui desembarcaram forças holandesas ao mando do Príncipe de Nassau”. Na Escada localiza-se também a Biblioteca Comunitária Paulo Freire, que atende a boa parte do subúrbio ferroviário.

Referências:

www.culturatododia.salvador.ba.gov.br

Praia Grande / Itacaranha - Atrativos Diversos


- FONTE DE ITACARANHA
De estilo barroco, a fonte foi construída no final do século XVII e início do século XVIII(entre 1685 e 1729), supostamente que pela família Brito, na época dona das terras de Itacaranha. De águas cristalinas até os dias de hoje, a fonte abastecia toda a fazenda e agregados que viviam na região e já foi registrada pelo IPAC (Instituto de Patrimônio artístico e Cultural). Acredita-se que outras fontes existiram, mas foram destruídas ao longo do processo de ocupação de terras e inchaço urbano na orla da Baía de Todos os Santos.

CENTROS CULTURAIS

- SOFIA - CENTRO DE ESTUDOS
Localizado na Rua Almeida Brandão, 77, no bairro de Escada, o centro, uma Organização não governamental sem fins lucrativos, surgiu da necessidade de reverter o processo de degradação social, econômica, política e ambiental por que passa o Subúrbio Ferroviário de Salvador. Algumas lideranças locais, atuantes em outros segmentos do movimento social organizado, criaram o SOFIA — Centro de Estudos para atuar na promoção, incentivo, difusão e democratização do acesso à cultura, ao conhecimento e à informação, compreendidos, pela organização, como elementos fundamentais à emancipação da pessoa humana, à preservação da história, ao estabelecimento de igualdade de oportunidades, ao desenvolvimento da justiça e ao fomento de uma cultura da paz.
Em 02 de maio de 2001, dá início às suas atividades, disponibilizando o acervo da Biblioteca Paulo Freire ao público estudantil e usuários/as em geral, além de uma diversificada programação cultural: palestras e debates, recital de poesia, apresentações teatrais, rodas de capoeira, Semana da Consciência Negra e desfile da Beleza Negra. Adquire existência legal com o registro de seu Estatuto Social em cartório em 03 de dezembro do mesmo ano. Acolhe e apoia o desenvolvimento de atividades acadêmicas da UFBA, a Atividade Curricular em comunidade (ACC), com estudantes de escolas públicas; executa os projetos de Formação de Lideranças Juvenis, focando a formação para a cidadania e estímulo à elevação da escolaridade de adolescentes e jovens de baixa renda; desenvolve oficinas de cidadania, capoeira, comunicação e expressão e matemática, o Quilombo Educacional Milton Santos, que consistia num curso preparatório ao vestibular, para estudantes afrodescendentes e de baixa renda, Sarau no SOFIA, um evento artístico-cultural, mobilizador de jovens artistas e aberto ao público. Ainda neste ano, participa da fundação, juntamente com outras instituições locais, da Rede de Entidades Sócio-culturais do Subúrbio Ferroviário, da qual é integrante até hoje. Além das atividades já realizadas, deu início, em 2003, a um programa de incentivo à leitura e formação de novos leitores, com atividades como a Hora do Conto e a Semana da Criança, o projeto Formação de Lideranças Juvenis em 2004, que foi ampliado com as oficinas de dança afro e de manutenção em microcomputadores, além dos projetos Cine Clube e Clube da Leitura. O Centro funda, juntamente com outras Bibliotecas Comunitárias, a Associação das Bibliotecas Comunitárias de Salvador. Em 2005, dá-se a implantação do Telecentro na Biblioteca Paulo Freire, a partir do qual serão desenvolvidas atividades de inclusão digital.

PROJETOS CULTURAIS

- PROVACS
A sigla, que significa Projeto Voz Artística do Coração do Subúrbio, é uma iniciativa de alguns artistas do Alto da Teresinha junto com o apoio da diretora Maria Benedita da escola Municipal Santa Teresinha. O projeto busca fomentar a arte no local, incentivar o caminho das artes para os jovens, oferecendo nova alternativa face à criminalidade no bairro e dando visibilidade aos artistas da região. Pode-se, desta forma, estabelecer a articulação e troca de informações, projetando as obras em outros locais da cidade, do Brasil e do mundo e formando uma rede de projetos coesos em que muitos outros artistas do local podem ser absorvidos. O Provacs que busca também parcerias com empresas e galerias, já promoveu sua primeira exposição de lançamento ocorrida em espaços livres das ruas do bairro.

RELIGIOSIDADE

-CAPELA DE NOSSA SENHORA DA ESCADA
A pequena ermida situa-se ao norte da cidade do Salvador, à margem do acesso ferroviário e da Av. Suburbana. A capela está implantada sobre uma pequena colina voltada para o mar, de onde se desfruta um belo panorama da Baía de Todos os Santos. Sua notável implantação paisagística foi prejudicada, inicialmente, pelo corte realizado na colina para passagem da linha férrea e, mais recentemente (1972), pela construção de casas pré-fabricadas de mau gosto em sua vizinhança imediata.
Edifício de notável mérito arquitetônico que compreende copiar, nave, capela-mor, sacristia, situada no lado do Evangelho, e sineira em arco, localizada no lado da Epístola. A fachada da atual é nova, refeita em 1966 pelo IPHAN, supostamente restabelecendo a concepção original. Nesta época o alpendre de duas águas foi substituído por um com tacaniça de autenticidade não comprovada. O púlpito, com bacia monolítica e sineira, tem acesso por escadarias externas, como em outras capelas rurais da mesma época. Pisos e forros foram alterados neste século. O altar-mor é pobre e data do séc. XIX. Na sacristia existe nicho cavado na parede. Possui imagem de Nossa Senhora, do séc. XVIII.
A igreja atual data provavelmente do séc. XVII, tendo sido modificada no séc. XIX. A planta desta ermida é uma transição entre o tipo mais antigo e singelo formado pela nave em capela-mor, esta de largura e altura inferiores à primeira, e o partido em "T" surgido com a justaposição da sacristia e consistório à capela-mor, como na primitiva igreja da Palma. O alpendre ou copiar foi frequente nas construções rurais dos primeiros séculos de colonização e já era usado anteriormente pelos franciscanos nos seus conventos em Portugal. Esta ermida apresenta grande semelhança com outras capelas rurais como a de S. José do Genipapo (C. Alves), N. S. da Ajuda (Cachoeira) e S. Antônio dos Velasques (Itaparica).
Histórico arquitetônico: A capela foi construída por Lázaro Arévolo em terras de sua propriedade, em data não precisa. 1566 - Documento do Pe Baltasar Fernandes existente no Arquivo Secreto do Vaticano e datado de 1619 prova a estada do Pe. José de Anchieta na capela em 1566 para recuperar a saúde; 1572 - Lázaro Arévolo doa a capela aos jesuítas; 1576 - Refugia-se na capela o Senhor de Engenho Sebastião da Ponte com ordem de prisão do próprio Rei por ter ferrado um homem branco. A proteção dada pelo bispo D. Antônio Barreiros gera grave conflito com o Governador Luis de Brito de Almeida.

Referências:

Cd-room IPAC-BA: Inventário de proteção do acervo cultural da Bahia, Bahia, Secretaria de Cultura e Turismo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

História econômica do subúrbio ferroviário de Salvador


O Subúrbio Ferroviário abrange 22 bairros onde moram 24,55% da população soteropolitana, ou seja, lá estão cerca de 600 mil habitantes. Até 1970 o local era formado por lugarejos, comunidades tradicionais de pescadores e veranistas que aproveitavam a pesca farta e as belezas das praias e enseadas banhadas pelas águas calmas da Baía de Todos os Santos. A linha do trem da antiga Leste (Viação Ferroviária Leste Brasileiro), inaugurada em 1860, fez com que as pessoas conhecessem melhor esta linda parte de Salvador. Atualmente, e após a ocupação de 1970 e 1980, o Subúrbio Ferroviário se vê ocupado em sua grande maioria por moradores das classes populares. Após a construção da Av. Afrânio Peixoto (Av. Suburbana) houve um aumento significativo das ocupações informais, que somando-se a total falta de atenção dos órgãos públicos competentes, fizeram com que este local da cidade fosse esquecido e deixado sua formação à espontaneidade das estratégias de sobrevivência do povo; Alagados, sem sombra de dúvidas, é reflexo deste abandono e criatividade do sobreviver. Assim, “A Suburbana”, como é conhecida, concentra boa parte das comunidades populares da cidade que convive com a falta de emprego, abandono, violência urbana, moradia precária e pobreza, paralelo à história antiga da formação de Salvador, com praias e locais belíssimos e com a rica cultura popular retratada, por exemplo, nos diversos grupos de capoeira, samba, música, terreiros e casas de candomblé, e na simbologia natural do Parque de São Bartolomeu.

Referências:

http://www.culturatododia.salvador.ba.gov.br/vivendo-area.php?cod_area=6



Continuação - Depoimentos

    "Sobre a comparação entre subúrbio e bairros nobres, eu acho assim: cada qual no seu cada qual. Tem pessoas que moram aqui que eu sei que jamais iam se adaptar a morar na graça e em outros locais, porque tem toda uma vida construída aqui. Aqui mesmo no alto da Terezinha, logo que vim trabalhar aqui, fiquei admirada com o ar puro que aqui tem. Você acredita nisso? As casas aqui têm quintal com jaqueira, mangueira, bananeira, cajueiro, e tem muito ventinho, muita coisa que a gente não vê na cidade."
    "Salvador para mim é uma das cidades mais lindas. Se eu não morasse aqui, tenho certeza que, através de livros, revistas, jornais, eu ia querer conhecer"
    Por: Maria Benedita Palmeira da Silva - Liderança cultural do Alto de Santa Terezinha

    "Quase não saio da Terezinha. Não tenho vontade. A cidade é muito confusa, não me acostumo... Fico no meu canto e resolvo tudo aqui mesmo. Minha vida é isso aqui. Acho até que salvador é a Teresinha."
    Por : Marina Batista de Lima Silva - Liderança cultural do Alto de Santa Terezinha

    "Na época, teve uma epidemia de febre amarela, e todo mundo que chegava aqui pegava a doença. A pessoa ficava amarela, o olho amarelo. Mas aí Deus foi ajudando, e eu fui adquirindo experiência. Aprendi a ver a doença no começo e cortar o mal. Só que ficou o nome."
    Por: Mãe Astéria, sobre o nome Ilha Amarela

    "Eu cheguei no subúrbio em 1979 (...) Quando entrei na suburbana, tinha até medo. Mas a suburbana é uma área rica, linda, queiram ou não queiram."
    "Aqui é conhecido como ´oásis do subúrbio`(...) É um lugar que, sinceramente, não tem melhor."
    Por: Antenor Souza Barbuda - Liderança cultural de Ilha Amarela

    Referências dos depoimentos:

    (Quem faz Salvador, 2002, Cd-Room, Ufba)